O Iron Butt é a mais famosa das provas de resistência para motociclistas ao redor do globo, e desta vez nós iremos além de só falar sobre assunto. Vamos percorrer as 1.000 milhas ao lado dos dois amigos que estão prontos para vencer este desafio dentro das 24 horas de prazo.

Arrumar as bolsas, colocar a moto na estrada e “enrolar o cabo” é sempre uma tarefa fácil e prazerosa para todos nós, motociclistas. Porém superar o Iron Butt é uma incumbência que vai justamente na contramão de todo este conforto (pelo menos para nós, aqui no Brasil). Trata-se de sair da zona de conforto, desafiar as adversidades de clima, trecho e fadiga. É necessário superar todas as nossas limitações.

Preste bem atenção quando digo limitações e não limites. As limitações são todas as coisas que nos impedem de ir além e ir melhor. Os limites são todas as condições que nos mantém em segurança. Portanto, em minha opinião, superar suas limitações é buscar a melhor forma de si, enquanto ultrapassar qualquer limite é colocar-se em perigo.

Por isso, o Iron Butt não incentiva excesso de velocidade nem desrespeito às leis de transito. Basta rodar em velocidade constante, parando pouco e por pouco tempo que todos os desafios são possíveis!  O desafio é de resistência e não de velocidade.

Traduzido para português como “Bunda de Ferro”, o nome Iron Butt deriva do Iron Butt Rally, evento que ocorre a cada dois anos e surgiu em 1984, nos Estados Unidos. É organizado pela IBA (sigla para Iron Butt Association), uma associação que dedica-se a viagens de longa duração em motocicleta e conta com mais de 60 mil membros ao redor do planeta, que se autodenominam os “mais tenazes motociclistas do mundo”. Um dos mais populares slogans da IBA é “o mundo é nosso playground”.

A IBA é organização sem vínculos formais e existe uma única forma de conseguir filiação: realizar uma das muitas provas de longa duração que a mesma certifica. A menor é a Saddle Sore 1000/1600k (1000 milhas ou 1610 km) em 24 horas ou menos (a mesma prova que nossos amigos irão tentar completar).

As provas oferecidas pela IBA são diversas, e podem levar em consideração o percurso, a distância e o tempo percorrido, algumas podem exigir também rotas específicas, como é o caso da “50 cc Quest”, que tem por objetivo de cruzar os Estados Unidos de costa-a-costa em menos de 50 horas, viagem esta que pode variar 3.800 a 4.700 Kms., dependendo da rota escolhida.

Listamos abaixo as 3 provas mais realizadas pelos “bunda de ferro” brasileiros:

SaddleSore 1000

Percorrer um trajeto de 1.000 milhas ou 1.610 Km em 24 horas ou menos

Bun Burner 1500

Realizar 1500 milhas (2414 Km) no período de até 36 horas

Bun Burner Gold 2500 K

Viajar por 2.500 Km em impressionantes 36 horas

Para concluir a homologação de novo membro junto a IBA, o motociclista, deve cumprir além da prova, alguns requisitos formais. O primeiro seria um Diário de Bordo, contendo dados da motocicleta e do piloto; informações do odômetro da motocicleta, trajeto escolhido, entre outros.

Neste Diário serão anotados os registros de horário e quilometragem da partida, pontos de parada e da chegada. Como testemunhas, poderão ser utilizados comprovantes de pedágio, notas fiscais de abastecimentos e serviços durante a viagem, tudo isto anexado aos registros do Diário de Bordo.

Estes documentos são, então, enviados por correio, acompanhado de uma taxa à IBA, onde serão analisados. Um certificado é fornecido se os requisitos forem atingidos.

Roteiro

A prova será realizada pela primeira vez entre os dois motociclistas e terá início no dia 06 de agosto e fim no dia 07. Marcelo Cardoso (brasileiro, de Toledo-PR) e Marcelo Céspedes (paraguaio, de Assunção-PY) deverão percorrer pouco mais de 1.700 quilômetros dentro do período de 24 horas, passando por 2 países e vários estados. Ambos rodarão de Harley-Davidson, Cardoso numa Fatboy e Cespedes de Heritage Classic.

O trajeto traçado por ambos terá início na madrugada de sábado, em Katuete no Paraguai, seguindo para o estado de Mato Grosso do Sul, por onde entrarão no Brasil, o próximo estado será São Paulo e encerrando a viagem na madrugada de domingo, em Toledo-Paraná. Ao concluir o percurso, os dois terão passado por 2 países e 7 estados, sendo 4 do Paraguai e 3 do Brasil e inúmeras cidades como: Katuete-PY, Guayaibi-PY, Yby Yaú-PY, Dourados-MS, Bataguassu-MS, Assis-SP, Maringá-PR, Corbélia-PR e Toledo-PR.

Algumas viagens de moto entre nós

Para contar quais foram as sensações, dificuldades e dicas práticas sobre o que este desafio significa, eu e mais um Marcelo (Cobalchini) cairemos na estrada com os outros dois, acompanhando de perto e dando apoio necessário, levando alguns alimentos e bebidas no carro para nossos brothers.

Desejo que mais esta viagem entre grande amigos seja repleta de boas histórias e risadas como sempre são. Graças ao motociclismo somos irmãos. Um forte abraço aos três Marcelos!

E você aí, já venceu este desafio? Conhece alguém que já o fez? Conte pra nós! E fica ligado que nos próximos dias haverá mais um post contando como tudo correu.

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