David “Dave” Mann (10/09/1940 -11/09/2004) foi um artista gráfico californiano cujas pinturas celebravam a cultura biker e as motos chopper. Chamado de “artista-residente do mundo motociclista”, suas imagens são onipresentes nos MCs e garagens, em tanques de gasolina, tatuagens, em estampas de camisetas e outras recordações associadas à cultura biker. Grande parte das motocicletas choppers são motos Harley-Davidson que foram construídas com base nas motos imaginadas e retratadas pelas pinturas de David Mann.

Fanático por carros customizados, Mann conseguiu o seu primeiro emprego como pintor de automóveis em uma oficina de sua cidade natal e, assim que terminou o colegial, se mudou para a Califórnia, onde descobriu a paixão pelas motocicletas. Começou, então, a pintar cenas sobre a cultura biker.

Em 1963, trouxe algumas de suas obras para o Kansas City Custom Car Show, onde o artista Tom Fugle se interessou por seu trabalho artístico. Com permissão de Mann, Fugle levou alguns dos seus trabalhos para Ed Roth (criador do Rat Fink, ícone do hot rod), um artista pop da época e também responsável pela publicação de uma das primeiras revistas especializadas em motos customizadas, a Choppers. Roth adorou as pinturas e resolveu comprar os direitos de dez das suas pinturas.

Em 1971, a então novata, Easyriders Magazine procurava por um “motorcycle artist” e Mann respondeu ao anúncio. Desde então, os seus trabalhos passaram a ser publicados regularmente na revista e mantiveram um estreito relacionamento até os últimos dias de sua vida.

Nas palavras de um antropólogo que estuda a cultura motociclista na Nova Zelândia, as pinturas de Mann colocavam choppers foras da lei em fundos surreais e horizontes distorcidos, imagens coloridas que celebravam as motos e a liberdade da estrada…” O humor das cenas vinham das suas próprias experiências de vida e muitas de suas imagens capturavam o espírito do ‘easyrider’ – a velocidade, a estrada aberta, cabelos longos e esvoaçantes, a liberdade.

Um dos motivos mais frequentes das pinturas de Mann era a motocicleta e seu piloto, emparelhados com uma figura complementar ou contrastante. A forma mais comum é a imagem icônica de duas motos à beira da estrada, lado a lado. Além desta, haviam três variações principais que se estenderam em sua arte por 30 anos.

A primeira seria a de um motociclista ao lado de uma figura semelhante ou afim em suas características, como um caminhoneiro ou outro arquétipo do mesmo contexto ou estilo de vida. Poderia ser também um motociclista sombreado por uma figura fantasmagórica, mítica do passado, como um cavaleiro medieval, um pistoleiro do velho oeste ou um caçador. Ambos vão ter vários itens de vestuário correspondentes, ou ter uma aparência facial idêntica a fim de garantir de que o espectador não deixe de perceber que o motociclista é uma encarnação moderna da persona mítica.

A segunda seria a imagem de um motociclista visto ao lado de um antagonista social, como policiais (tolos, porém hostis), motoristas antiquados, ou uma caricatura do homem de uma classe mais alta que está irritado com sua esposa/filha(o) por sua óbvia admiração e desejo de ir embora com aquele motociclista.

A terceira variação tem uma figura feminina, às vezes sobrenatural e vigiando o motociclista do céu, talvez iminente nas memórias do piloto, ou então às vezes uma mulher de verdade, passageira na moto ou ao fundo, assistindo o motociclista ir embora. Mulheres quase nunca são retratadas em suas próprias motos ou tomando parte na ação; elas são observadoras, objetos sexuais ou meras passageiras. Suas expressões faciais são ou vazias ou cheias de desejo e admiração pelo motociclista e sua moto. Às vezes as mulheres são ilustradas de forma negativa, como uma distração sexual que faz com que o motociclista negligencie sua moto ou sua atitude com seus companheiros de estrada.

Mann pintou três obras onde as mulheres são vistas pilotando. Uma delas tem um homem e uma mulher pilotando, lado a lado em uma estrada; outra tem duas mulheres rodando lado a lado em trikes à noite; a terceira retrata uma mulher confusa e assustada tentando pilotar uma moto, mas ela está fora de controle e prestes a ser atirada para fora da motocicleta.

Um subgênero do de trabalho de Mann, além destas três variações, é mais surrealista e muitas vezes deixa de fora motos e motociclistas. Em vez disso, os motivos são geralmente caveiras, chamas, mulheres nuas e tatuagens, muitas vezes brincando com a imagem figurativa que está tatuada na pele voltando à vida.

Uma das mensagens contidas no trabalho Mann é uma tensão não resolvida entre, o desejo por atenção e reconhecimento para a arte motociclística no mundo mainstream e a rejeição desse mesmo mundo, com base na preferência do motociclista pelos valores motociclísticos sobre os valores tradicionais, e a necessidade de mostrar aos antiquados que suas opiniões não têm poder sobre o motociclista.

Um outro contraste é evidente no tema e repetido em sua arte: a honra e da nobreza do biker, que descreve os motociclistas como cavaleiros modernos ou heróis míticos semelhantes.

Mann seguiu com o seu trabalho até o início de 2003, quando a sua saúde começou a piorar. Ele adquiriu uma doença rara, causada pela evaporação de gases das tintas que ele usava, que acabaram com os seus pulmões. Os médicos, então, decidiram retirar os pulmões de David e a sua vida passou a depender de um respirador. Um dia após completar sessenta e quatro anos, sua mulher resolveu desligar os aparelhos que o mantinham vivo e ele veio a falecer.

Pouco antes de sua morte, uma motocicleta customizada foi construída em sua homenagem pela Orange County Choppers, sendo apresentada num episódio do reality show American Chopper. A “David Mann Bike” foi construída no estilo de Mann, mas Mann morreu antes que fosse concluída.

Em 2004, David Mann foi introduzido no Motorcycle Hall of Fame.

Gostaria de conhecer produtos exclusivos, que traduzem o amor pela liberdade e motos? Clique aqui!
Via.